quarta-feira, 6 de junho de 2007

Anhangüera é resistência

A Internet, sem dúvida nenhuma, vem há tempos revolucionando os processos de comunicação, com as vantagens, desvantagens, problemas e limitações inerentes a qualquer quebra radical de paradigmas. Já me aventurei por essa seara, pra quem se interessar pelo tema, nos primórdios desta revista. Mas a reflexão que me move, hoje, é menos filosófica e mais prática.

Graças ao talento robusto e disposição empedernida de alguns gigantes da minha geração como meu irmão Edu Goldenberg e, mais recentemente, mestre Luiz Antonio Simas e o incansável guerreiro Bruno Ribeiro, os blogues ocuparam um espaço de resistência que pouco a pouco vai urdindo uma teia que, se não dá ainda sinais de que vá mudar o mundo, nos confere um conforto, uma força, uma sensação - quase asbsolutamente ausente em outros metiês - de que a semente de um mundo diferente ainda não foi completamente sufocada. E independentemente dos diversos graus de dedicação, disposição e mesmo, eu diria, de iniciação, pouco a pouco outras vozes vão se juntando, armando seu caixotinho virtual neste gigantesco speaker's corner sem fronteiras propiciado pelos ares ainda libertários da rede mundial de computadores. Poderia citar algumas delas, mas como aou versado em discurso de casamento e velório, “vou me furtar, para não correr o risco de cometer alguma injustiça”...

Hoje, especialmente, faço este breve intróito para recomendar vivamente a leitura de um estreante, que independentemente de ser um grande companheiro no samba, nas noites e na vida, tem vivência, memória, verve e animus narrandi - as quatro qualidades suficientes e necessárias - de um grande contador de histórias: Arthur Favela Tirone, figura habitual nesta e noutras plagas virtuais já citadas. No seu Anhangüera vêm sendo pintadas a doçura e a vileza desta Cidade que se agigantou, com suas cores tão naturais quanto algo desbotadas de poluição e antigüidade, com sua gente verdadeira, sua malandragem meio-bruta, meio-caipira, bem longe dos estereótipos e paradigmas importados que os seus usurpadores teimam em querer enfiar-lhe goela abaixo. Porque essa é a nossa verdade mestiça de guaianás acaboclados e negros oprimidos! Ali estão presentes o butiquim vagabundo, o futebol de várzea, as rodas de samba, a barafunda destas ruas de inigualável sotaque!

E vamos em frente, que as trincheiras estão cavadas e nós temos soldados destemidos e munição pesada, ainda que o inimigo seja mais numeroso e tão desleal. Porque a resistência também está plantada nesta Terra da Garoa. Tem nome de diabo velho e mora na Barra Funda!

4 comentários:

  1. Favela é figuraça! Que o projeto Anhanguera dá samba perdure e, digo mais, torne-se semanal.

    Prepara o gogó, Fernandão!

    Abraços!

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  2. Fê, vindo de você, malandro, mais motivação me dá!
    Sem palavras!
    Bebamos! Bebamos!
    Um beijo.

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  3. Estamos de olho no blog do Favela. O Exército ganha mais um soldado na trincheira das idéias.

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  4. Realmente essa Barra Funda, tem alguma coisa que une sinceramente pessoas...as amizades feitas lá não são aquelas ditas "feitas em porta de boteco..."...bom, quer dizer...feitas dentro dele mesmo, né rapaziada ?...e assim conheci o Favela, e quase dessa forma tive o inenarrável prazer em conhecer o Fernando, a Railídia,e nem precisaria dizer onde, mas como adoro lembrar aqueles dias...digo assim mesmo, Espaço Cuca no Raul Tabajara...como diverti naquele tempo...e com muito samba e uma cachacinha que me era servida pelo Fernando ou o pai dele eu ia entre umas e outras cantando sambas que costumeiramente não se ouvia nas rodas por onde eu andava, eu já meio pros 40 anos, que além de sambas da década de 80 também tinha reforçado na cabeça e nos meus CDs, muitos sambas da "época de ouro" e dos anos 50 a 70.
    E assim depois dessa época gostosa da minha vida as rodas foram tomando um rumo bem mais rico em termos de repertório, e fico me perguntando...- Será que não foram em grande parte influenciados pelo repertório dos "Inimigos do Batente" ? Pois é, fica aqui meu agradecimento pela amizade correspondida e sempre reafirmada pelas atitudes e semblantes que percebo em meus encontros com esses caras...

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